O que é?

Olimpíadas de Conhecimento

As olimpíadas de conhecimento surgiram no final do século XIX, no mesmo contexto das olimpíadas esportivas modernas: uma forma de celebração da excelência humana, retomando o espírito presente nas demonstrações esportivas e artísticas dos jogos olímpicos gregos. Veja mais abaixo uma pequena história de como isso se deu.

A visão educacional correspondente às olimpíadas é o que é conhecido como pedagogia baseada em problemas ​– uma das herdeiras das pedagogias construtivistas. Nelas, o aprendizado parte do fascínio e interesse do próprio estudante que, a partir do próprio contexto lúdico do problema, entra numa jornada de investigação em que a visão chave é o aprendizado autodirigido e a autonomia intelectual. Ao se deparar com um novo problema, o estudante não chega com respostas prontas para serem aplicadas. Ao contrário, a partir de uma posição de não-saber, ​no processo de resolvê-lo ​, ele aprende algo sobre a área em questão e sobre si mesmo. No fim, o processo olímpico provoca um impacto coletivo disruptivo nas comunidades escolares, com a formação de “culturas olímpicas” e com a alavancagem de índices educacionais.

Olimpíadas de Linguística

A história das olimpíadas de linguística espelha a história de suas irmãs mais velhas. Foi no início da década de 1960, inspirando-se nas olimpíadas de matemática, que linguistas como Alfred Jurinski e Andrei Zalizniak formularam pela primeira vez o conceito de ​problemas autossuficientes de linguística ​. A primeira edição da Olimpíada de Linguística de Moscou aconteceu em 1965 ​– uma história mais completa pode ser vista neste link. Nas duas décadas posteriores, outros linguistas decidiram criar modelos parecidos em outras partes do planeta: na Bulgária (1984), no estado norte-americano do Oregon (1988), na cidade russa de São Petersburgo (1995), na cidade holandesa de Leiden (2001), etc. Em 2003, russos e búlgaros organizaram a primeira Olimpíada Internacional de Linguística, contando também com a participação de quatro outros países: Holanda, Letônia, Estônia e República Tcheca. Desde então, a ideia seguiu se espalhando: hoje existem olimpíadas nacionais de linguística em cerca de 40 países.

No Brasil, a primeira edição da Olimpíada Brasileira de Linguística aconteceu em 2011. A olimpíada se organiza em quatro etapas (fase online, fase em papel, fase presencial e fase internacional) e todos os anos envolve participantes de diferentes regiões e culturas dentro do nosso país, em torno de temas envolvendo línguas, linguagem, códigos, cultura e cognição humana. A cada ano, a Olimpíada recebe uma nova ênfase e um novo nome: já foi Kytã, Noke Vana, Paraplü, Vina, Òkun, Ñanduti, Mărgele e agora, Yora.

Por que a gente se interessa?

O fascinante mundo das línguas: As línguas são um dos aspectos mais fascinantes e mais íntimos da cultura e da cognição humanas. O olhar aprofundado para a própria língua, bem como para a miríade de outras línguas e formas de comunicação, tanto humanas quanto dos demais seres vivos – no que elas têm de diverso e no que têm de similar – são interesses naturais de todos. De onde as línguas surgiram? Por que elas são tão diferentes? Por que elas têm tanto em comum? Qual a relação entre nossa forma de nos comunicarmos e a comunicação dos animais ou dos computadores? Como as línguas e a linguagem impactam a vida social? Como as línguas se tornam instrumentos de dominação, identificação, inclusão ou afirmação? O que podemos dizer sobre as mais de 200 línguas indígenas, imigrantes e de sinais que convivem no nosso país? Qual a relação entre nossas línguas e nossas maneiras de pensar, sentir, viver? Todos nós já nos fizemos essas perguntas alguma vez na vida.

Resolução de problemas desconhecidos: ​Os problemas de linguística são autossuficientes: eles não esperam dos estudantes domínio sobre teorias sofisticadas e conhecimento acumulado. Em vez disso, introduzem desafios novos, não-familiares, que podem ser desvendados por alguém que use apenas seu conhecimento básico de mundo, sua intuição como falante de alguma língua humana e uma boa dose de raciocínio e investigação. Assim, investigando as línguas, a pessoa desenvolve sua habilidade de lidar com situações desconhecidas, bem como conhecer e desenvolver suas próprias ferramentas e competências para enfrentar um mundo que é, sobretudo, algo além do que podemos imaginar que ele seja.

Convergência multidisciplinar: ​Justamente por tratar de algo amplo e ao mesmo tempo diverso, a linguística sugere um tipo específico de desafio intelectual. Por um lado, as habilidades lógicas, analíticas e metalinguísticas envolvidas no reconhecimento, análise e interpretação dos padrões linguísticos se conectam, tipicamente, com a estruturação lógica da matemática e a investigação cuidadosa das ​ciências naturais ​. Por outro lado, lidar com diferentes línguas e, por consequência, diferentes culturas, exige um tipo de sensibilidade histórica, social e comunicativa geralmente conectado às ciências humanas e sociais. Assim, a linguística é uma ponte natural entre as abordagens “de exatas” e “de humanas”, servindo como um rico pivô em qualquer abordagem multi ou transdisciplinar. Não é à toa que, no mundo profissional, a linguística se conecte com áreas tão distintas: da tradução à fonoaudiologia, da computação às relações públicas, da robótica à antropologia

Se isso também acende uma chama em você, dê uma olhada na nossa página de problemas para entender como abordamos esses assuntos no modelo olímpico.

Uma breve história

A primeira edição dos Jogos Olímpicos Modernos (esportivos) aconteceu em 1896; dois anos antes, em 1894, a Sociedade de Matemática e Física da Hungria organizou a primeira edição de uma competição de matemática para estudantes do último ano escolar. Todo outono, participantes recebiam três problemas de matemática para resolverem e submeterem suas soluções. No mesmo ano, foi lançada também uma de Matemática e Física para o Ensino Médio (em húngaro, ​Középiskolai Matematikai és Fizikai Lapok ou ​KöMaL ​) que, além de artigos de temas variados, trazia os problemas da competição e outros, para os quais estudantes podiam submeter suas soluções ​– ​as melhores eram publicadas na edição seguinte da revista. A tradição de problemas de matemática como desafios intelectuais lúdicos é muito mais antiga, remontando a contextos tão distantes quanto os desafios pitagóricos gregos ou os ​sangaku dos templos japoneses. No entanto, usualmente se considera essa competição matemática húngara (mais tarde batizada de ​Competição Loránd Eötvös e, depois, de ​Competição József Kürschák ​) como a primeira olimpíada de conhecimento moderna.

O primeiro uso da palavra “olimpíada” para jogos matemáticos, no entanto, aconteceu na União Soviética: em 1934 foi fundada a ​Olimpíada de Matemática de Leningrado e, no ano seguinte, a ​Olimpíada de Matemática de Moscou ​. Seguindo um formato similar ao da competição húngara, esses jogos pretendiam popularizar a matemática entre jovens escolares e, ao mesmo tempo, despertar talentos para a nascente ciência soviética. Ao longo das décadas seguintes, o modelo bem-sucedido foi copiado por outras cidades industriais da órbita soviética e também por outras áreas de conhecimento (física, astronomia, química, etc.), formando a hoje bem estabelecida cultura de desafios intelectuais entre jovens da Rússia e países vizinhos.

Em 1959, um novo passo foi dado, com a fundação da ​Olimpíada Internacional de Matemática ​, entre sete países do então bloco comunista: Hungria, Romênia, Bulgária, Polônia, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental e a própria URSS. Em 1967, alguns desses países fundaram também a ​Olimpíada Internacional de Física e, em 1968, a Olimpíada Internacional de Química. Esses jogos internacionais foram uma ponte importante para levar o formato dos jogos científicos para outros países. A primeira participação não-europeia nesses jogos foi em 1972, com Cuba participando da olimpíada de matemática. Sete anos depois, em 1979, o Brasil fundou sua ​Olimpíada Brasileira de Matemática ​(OBM).

Outras olimpíadas chegaram no Brasil nas duas décadas seguintes: Química (OBQ) em 1986, e Astronomia (OBA), Física (OBF) e Informática (OBI) em 1998-99. Em 2005, o Governo Federal, em um primeiro movimento que enxergasse o potencial das olimpíadas como instrumento de inclusão educacional, fundou a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) ​– que atualmente configura, em termos de número de participantes, a maior olimpíada escolar do mundo (foram 18 milhões de estudantes inscritos em 2017).

QUEM SOMOS?

A OBL é organizada por um grupo de linguistas, professores e ex-olímpicos, que participam de forma inteiramente voluntária e baseada no brilho que a olimpíada tem para eles. Os nomes atuais incluem, entre outros mais:

Comissão Organizadora

Abel de Santana Filho

Andrey Nikulin

Bruno L’Astorina

Cynthia Lacroix Herkenhoff

Pedro Neves Lopes

Takerou Hayashi Sato

Mídias e Redes Sociais

Davi Kumruian

Eduardo Martins

Takerou Hayashi Sato

Design

Camila Kops Ferreira

Editora Vetores | Porto Alegre, RS

Tecnologia e Web

Danilo Formiga

Fractal Tecnologia | João Pessoa, PB

André Vildozo

Fractal Tecnologia | João Pessoa, PB

Corpo de Embaixadores

Fernando Orphão de Carvalho

NELI/Unifap | ​Macapá, AP

Eduardo Martins

FLET/Ufam | Manaus,AM

João Carlos Rodrigues

Colégio Militar de Fortaleza | ​Fortaleza, CE

Mahayana Godoy

UFRN | Natal, RN

Márcio Leitão

UFPB | João Pessoa, PB

Marcus Lira

UnB | ​Brasília, DF

Dirceu Cleber Conde

DL/UFSCar | ​São Carlos, SP

Thiago Motta Sampaio

IEL/Unicamp | Campinas, SP

Núcleo UFSCar

Ariane Teixeira

Jackson Wilke da Cruz Souza

Jane Eder Girardi

Renata Tironi de Camargo

Tainara Duro Agostini

Núcleo UFRJ

Cynthia Lacroix Herkenhoff

Rodrigo Pinto Tiradentes


Também quer fazer parte desse time? Escreva-nos! organiza@obling.org