O QUE É?

Olimpíadas de Conhecimento

As olimpíadas de conhecimento surgiram no final do século XIX, em paralelo às olimpíadas esportivas modernas. Ambas se pretendiam uma forma de celebração da excelência e da autossuperação humanas, ecoando o espírito das demonstrações esportivas e artísticas do jogos olímpicos gregos.

A visão educacional correspondente às olimpíadas, que podemos chamar de pedagogia de problemas, se desenvolveu a partir das primeiras décadas do século XX, numa constelação de abordagens pedagógicas voltadas à autonomia (o método de projeto, os métodos construtivistas, etc). Nessa visão, o aprendizado parte do fascínio e do interesse do próprio estudante que, a partir da proposta do problema, entra numa jornada de desvendamento ativo e autodirigido, elencando e gerenciando suas próprias habilidades em busca de uma solução. Sem poder recorrer a soluções prontas e fáceis, no processo de solucionar o problema, o estudante aprende algo sobre o mundo e sobre si mesmo. Esse processo, repetido diversas vezes, tem um potencial transformador para os estudantes e para as comunidades escolares, com a formação de culturas olímpicas e com a alavancagem de índices educacionais.

Linguística

A linguística é muito mais do que o estudo de português ou de outra língua específica. A chamada ciência da linguagem poderia ser melhor descrita como uma confederação de ciências, porque ela utiliza uma diversidade de abordagens e métodos para tratar temas tão diversos como, por exemplo, a relação entre linguagem e mente, os aspectos físicos da fala, o processamento das línguas humanas em sistemas computacionais e inteligências artificiais, os efeitos de sentido dos textos, as diferentes variantes geográficas/etárias/sociais da comunicação, a investigação dos discursos públicos e privados, os papéis e as relações políticas entre as línguas, suas transformações no tempo e no contato com outros idiomas, suas relações com a história e cultura dos povos, entre outros temas.

De fato, a linguagem humana está no meio de relações entre muitas formas de conhecimento: da filosofia à computação, da biologia à cultura, da psicologia à política, da sociologia à geografia, da medicina ao direito, das estruturas matemáticas às diferentes formas de pensar, sentir e viver. Isso coloca a linguística numa posição naturalmente transdisciplinar, que pode enriquecer muito a aprendizagem de português e de outras línguas, mas também criar pontes diretas com a matemática, as ciências naturais e as ciências humanas, além de desenvolver uma gama ampla de habilidades. Afinal, investigar a linguagem envolve muito mais do que saber se comunicar: envolve observar e experimentar, estruturar e analisar, refletir e articular conceitos, reconhecer padrões internos e criar sensibilidade para diferentes formas históricas, estéticas, sociais e culturais.

Olimpíada de Linguística

As olimpíadas de linguística nasceram como irmãs mais novas das olimpíadas de matemática, física, química e astronomia. Foi nos anos 1960, em Moscou, que linguistas como Andrei Zalizniak e Alfred Jurinski começaram a compor problemas para jovens de ensino médio, a partir da premissa de que era possível decifrar padrões de diferentes línguas sem que que o resolvedor precisasse conhecer as línguas ou dominar conhecimento técnico da linguística – razão pela qual esses problemas ficaram conhecidos como autossuficientes.

A primeira Olimpíada de Linguística de Moscou aconteceu em 1965. Nas décadas seguintes, outras cidades e países desenvolveram modelos parecidos. Quatro décadas depois, o intercâmbio entre as olimpíadas russa e búlgara geraram, em 2003, a Olimpíada Internacional de Linguística, que hoje conta com cerca de 50 países participantes (uma lista mais completa se encontra em Problemas de Outros Países.

O Brasil entrou nesse circuito em 2011, com a primeira edição da OBL. Desde então, ela acontece anualmente, unindo a interdisciplinaridade natural da linguística e a metodologia ativa dos problemas, introduzindo participantes de todas as partes do país a temas envolvendo línguas, linguagem, códigos, cultura e cognição humanas.