PARA PROFESSORES

Introdução.

Os problemas de linguística da OBL permitem que alunos do Ensino Básico aprendam mais sobre o que é a Linguística e como os conceitos estudados em gramática, interpretação de textos, geopolítica, história, biologia, entre muitas outras áreas, podem convergir para a compreensão dos fenômenos que englobam a comunicação humana em diferentes partes do mundo.

Partimos do pressuposto de que não há apenas um perfil de aluno capaz de resolver problemas de linguística: todos têm igual chance de aprender, a partir de seus gostos pessoais, e de participarem ativamente dessas atividades, que são lúdicas, criativas e transformadoras.

Perguntas frequentes:

O que é a Olimpíada Brasileira de Linguística?

A Olimpíada Brasileira de Linguística é um evento aberto e gratuito, que acontece desde 2011, instigando seus participantes a ampliar suas habilidades lógico-analíticas, sua intuição linguística, e sua visão sobre os povos do mundo, a partir de uma abordagem interdisciplinar. Suas quatro etapas (Fase 1 - online; Fase 2 - em papel; ELO; e olimpíada internacional) permitem diferentes graus de envolvimento dos participantes – entre estudantes de Ensino Fundamental e Médio, e pessoas em geral. Com a experiência das edições anteriores, a olimpíada firmou-se como um fascinante instrumento de imersão multicultural, trazendo à luz diversos temas do mundo das línguas, da linguagem, dos códigos e da cognição humana. Leia mais aqui.

Quem pode participar da OBL?

A participação na OBL acontece em três categorias:

  • Mirim: estudantes cursando do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental, de instituições públicas ou privadas, de qualquer natureza.
  • Regular: estudantes cursando do 9º ano do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio, de instituições públicas ou privadas, de qualquer natureza.
  • Aberta: qualquer pessoa, de qualquer idade, que não esteja matriculada na Educação Básica, independentemente da escolaridade.

Quando ocorre e como funciona a OBL?

A Fase 1 é on-line, com 18 questões de múltipla escolha divididas em três ciclos, e acontece aproximadamente na segunda quinzena de maio. A prova fica disponível ao longo de aproximadamente 10 dias, durante os quais o participante pode acessá-la quantas vezes quiser, sem limite de tempo. A Fase 2 é feita em papel, de modo presencial, e acontece aproximadamente em setembro. Depois das duas primeiras fases, ocorre, no ano seguinte, a Escola de Linguística de Outono de fevereiro a abril e a IOL, fase internacional, em julho.

Como fazer a inscrição?

Há duas maneiras de inscrição na OBL, ambas gratuitas.

Individual: qualquer interessado em participar da OBL pode fazer sua própria inscrição. Para isso, é necessário que o interessado acesse o aplicativo ou a área interna do site, crie sua conta (caso ainda não tenha), escolha sua categoria e realize sua inscrição.

Por Escola: A ser anunciada.

Como é a premiação da OBL?

Ao final da Fase 2, os participantes com melhor desempenho são premiados com insígnias de Papel, Pergaminho, Papiro e Palma (equivalentes a prêmios I, II, III e IV, respectivamente; e a medalhas de ouro, prata, bronze e menção honrosa), na forma de certificado digital. As insígnias se referem a materiais utilizados tradicionalmente para representar a escrita. As insígnias são concedidas nas três categorias de participação (Mirim, Regular e Aberta). Os certificados ficam disponíveis no aplicativo e na área interna do site, após a divulgação dos resultados da Fase 2, e podem ser baixados pelo próprio participante.

Os prêmios da OBL podem ser usados para vagas olímpicas?

Sim. Algumas universidades brasileiras aceitam as medalhas que são concedidas pela OBL (as insígnias atribuídas após a Fase 2) e pela IOL, a Olimpíada Internacional de Linguística. Confira o quadro abaixo com as informações atualizadas do segundo semestre de 2024:

Universidade Cursos Medalhas aceitas
Universidade de São Paulo (USP) Sem curso especificado OBL e IOL
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Ciências Sociais (Bacharelado); Letras - Português (Licenciatura); Letras - Português/Espanhol (Licenciatura); Letras - Português/Inglês (Licenciatura); Letras - Português e Literatura (Licenciatura) OBL
Universidade Federal do ABC (UFABC) Sem curso especificado OBL
Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) Engenharia de Materiais (Campus Itabira) OBL
Como funciona a aplicação presencial da Fase 1?

A prova da Fase 1 é realizada de modo online, mas também pode ser aplicada de modo alternativo, impressa ou projetada em aparelho audiovisual (como, por exemplo, televisão ou projetor), por escolas cujos estudantes não possuem acesso de qualidade à internet ou a dispositivos eletrônicos.

Essa modalidade de aplicação é organizada pela escola, que fica responsável por viabilizar o acesso dos alunos à prova (seja por impressão, seja por projeção em tela) e por imprimir os cartões-resposta. A escola deve aplicar a prova em um único momento ou ao longo dos dias, garantindo que os estudantes tenham pelo menos 4 horas para concluir as questões e preencher o cartão-resposta. Por fim, a escola deve escanear os cartões-resposta e enviá-los por e-mail.

Atenção! Somente será considerada válida a participação de estudantes que estejam devidamente inscritos na edição da OBL.

Preparação para a prova

A resolução de problemas é o ponto chave na preparação para a OBL. Como professores, devemos adotar a perspectiva de que os alunos são o foco da construção do conhecimento em sala de aula e que devemos propiciar um ambiente em que os alunos se sintam confiantes para tentativas e erros, levantamentos de hipóteses e comunicação entre os pares. Aspectos fonéticos, fonológicos, morfológicos, sintáticos, pragmáticos, textuais e discursivos são identificados por qualquer falante de uma língua - mesmo que não saibam exatamente que esses são os nomes dos fenômenos que enxergam intuitivamente - e é nesse ponto que o professor pode atuar como mediador entre o conhecimento e o aluno.

Embora seja interessante, é pouco eficiente ensinar fundamentos de linguística ou realizar longas exposições sobre os níveis de análise linguística ou sobre línguas específicas ao redor do mundo. É preciso, no lugar disso, instigar a investigação, a pesquisa e a explicação de processos que fazem parte da cultura, da fala e da escrita de diferentes povos.

Sugestões

  1. Em primeiro lugar, confie no conhecimento e na intuição que você e seus alunos têm: é possível que vocês, como falantes de uma língua materna, entendam muito mais do que pensam sobre lógica, cognição e fenômenos linguísticos. Não tenha medo do desconhecido: é possível partir de comparações com o que sabemos para a estruturação de um raciocínio que chegará à resolução do problema.
  2. Além disso, lembre-se de que você não precisa ter todas as respostas: é impossível aprender ou decorar todas as línguas e suas estruturas. Inclusive, esse conhecimento não é necessário para resolver um problema de linguística.
  3. Invista no hábito de resolver problemas de edições anteriores, garantindo que os estudantes tenham tempo para tentar resolvê-los. Para isso, é muito vantajoso estabelecer uma rotina semanal de resolver problemas de linguísticas, seja como parte das aulas de língua portuguesa ou língua estrangeira, seja como um desafio para casa, seja como um clube de ciências no contraturno. Após a tentativa dos alunos, é essencial demonstrar-lhes e comentar a solução.
  4. Comece por problemas curtos e de nível mais fácil, sobretudo aqueles presentes na Fase 1 e em especial aqueles que tematizam aspectos de morfologia ou sistema de escrita. Confira algumas sugestões na seção “Materiais” abaixo.
  5. Durante a resolução de um problema, estimule o uso de cores diferentes nas anotações, por meio de, por exemplo, canetas e lápis coloridos. Também é possível se valer de formas (como quadrados, círculos e triângulos) e tracejados (como circular, sublinhar e grifar). Essas técnicas permitem visualizar melhor as deduções e, com base nelas, estabelecer generalizações. Veja como isso foi feito nesta resolução (a partir do minuto 45:20) e nesta resolução.
  6. Estruture a resolução dos problemas junto com seus alunos: demonstre como fazer deduções e identificar padrões; ensine como (re)organizar os dados presentes no problema em tabelas, grafos e esquemas visuais; desenvolva a tomada de consciência sobre as hipóteses que são formuladas intuitivamente pelos alunos; incentive os estudantes a serem perseverantes em suas hipóteses; ensine quais hipóteses linguísticas costumam ser mais plausíveis; e demonstre como fazer generalizações, categorizações e classificações sobre os padrões linguísticos encontrados nos problemas. Esses passos foram demonstrados na resolução do problema “Okun na Yora”, a partir do minuto 1:11:45 nesta palestra.
  7. Junto à prática de resolver problemas de linguística, privilegie o ensino de conteúdos procedimentais, como, por exemplo, correlacionar palavras derivadas a seus primitivos; organizar paradigmas verbais e nominais em tabelas; identificar em sentenças os constituintes que correspondem a sujeito, verbo, objeto e adjunto adverbial; anotar listas de palavras que pertençam a um mesmo campo lexical; ou acrescentar palavras a uma lista de exemplos de determinado processo fonológico. Note que em muitos casos não é necessário saber (precisamente) a definição dos conceitos, muito menos sua nomenclatura.
  8. Tenha ferramentas em mãos para atuar como mediador da construção coletiva do conhecimento a partir dos problemas. Incentive os estudantes a recorrerem junto contigo a gramáticas, dicionários, mapas, atlas, enciclopédias, materiais de introdução à linguística, entre outros.
  9. Participe da OBL! Professores podem participar na categoria Aberta e inclusive receber insígnias pela participação.

Materiais de introdução

  • Livro “Linguística por problemas: explorando a linguagem de forma investigativa nas escolas” - escrito pela coordenação da Olimpíada Brasileira de Linguística, apresenta a proposta pedagógica da OBL e oferece estratégias didáticas para uso dos problemas em sala de aula.
  • Playlist com as palestras e oficinas ministradas no evento de extensão “Linguística: o que é e como se faz” - apresentam a OBL, demonstram a resolução de diferentes problemas, oferecem dicas para resolução dos problemas em sala de aula, explicam as atividades da ELO e exibem relatos de experiência de alunos do Ensino Médio.
  • Playlists de resolução de problemas no canal da OBL no Youtube - em especial, a playlist “Problemas ‒ Nível I (Básico)”, que demonstra o caminho de resolução de problemas mais curtos.
  • Seleção de problemas da categoria Mirim - arquivo com 10 problemas da Fase 1 da categoria Mirim de diferentes edições, para introdução e familiarização com problemas de linguística

Materiais adicionais

Divulgue a Olimpíada Brasileira de Linguística na sua escola!