
Terminada a XXI Olimpíada Internacional de Linguística – Brasília 2024, primeira vez do evento no hemisfério sul, a OBL entrou em um novo período de crescimento e expansão.
O nome domu, que significa "pássaro" em warao, representa três símbolos importantes desse novo período: (i) o movimento migratório que acompanha mudanças no clima, (ii) o espírito desbravador de levantar voo para buscar novos horizontes e (iii) o papel de dispersar sementes ao longo do caminho, para que sejam colhidas no futuro.
Nesse período, a OBL não contou com uma edição comum da olimpíada, que tradicionalmente seleciona os estudantes que participarão da Escola de Linguística de Outono (ELO) e da Olimpíada Internacional de Linguística (IOL). O calendário de quatro fases, anteriormente distribuídas ao longo de 12 meses, passou a acontecer em 18 meses. Por isso, esse semestre de primavera de 2024 foi um Semestre de Transição, com o oferecimento de atividades diferentes para os interessados no trabalho da OBL.
Os participantes da ELO 2025 foram selecionados por meio de um processo extraordinário: todos os participantes da ELO 2024 que ainda cumprirem os critérios de seleção (estar cursando ensino médio em 2024) foram reconvocados, e o restante das vagas foi preenchida pelos estudantes selecionados pela Prova de Repescagem. A ELO ocorreu normalmente e, a partir dela, foram selecionados os alunos que representaram o Brasil na XXII IOL, sediada em Taiwan.
A Prova de Repescagem foi realizada virtualmente no dia 23 de novembro de 2024 para selecionar novos estudantes para a Escola de Linguística de Outono 2025. Todos os estudantes da faixa escolar equivalente à categoria Regular que manifestaram interesse foram convidados a realizar a prova. No total, participaram 49 estudantes de 12 unidades federativas.
A Prova teve problemas envolvendo frases em maori, escrita ogham do irlandês antigo, plurais em cingalês, possessivos em vitu e numerais em sora.
Como esse foi um processo extraordinário, e não uma edição comum, não houve distribuição de insígnias. Os melhores colocados foram convocados para participar da ELO no semestre seguinte.
Em um processo extraordinário devido ao semestre de transição, foram convidados para a XIV Escola de Linguística de Outono os estudantes elegíveis que participaram da ELO 2024 e os estudantes com os melhores desempenhos na Prova de Repescagem, totalizando 63 convidados. A ELO ocorreu entre os meses de fevereiro e maio de 2025, de forma híbrida. Os estudantes participaram de palestras e oficinas, online e presencialmente, atividades de integração e quatro atividades olímpicas.
A etapa virtual da ELO teve as atividades Obelepédia (escrita de artigos para a Wikipédia) e Rolezinho Linguístico (mini-projeto de pesquisa acadêmica). Na Obelepédia, os alunos produziram artigos para a Wikipédia lusófona sobre línguas diversas, com destaque para os artigos das línguas cavineña, khatso, baniwa, somali, tikuna e hdi. O Rolezinho envolveu pesquisas sobre um tema geral único, os padrões de construção verbal de futuro do presente no português brasileiro.
A Semana Olímpica de Linguística (SOL), etapa presencial da ELO, ocorreu em Brasília, e teve duas atividades: a Prova (com problemas de linguística) e a Assembleia (debates sobre temas da linguagem). A Prova teve problemas envolvendo frases em keapara, frases em rotokas, relações familiares em parkatêjê e quantidades em tzeltal. A Assembleia envolveu debates e construção de consenso em torno dos temas de: uso de anglicismos em português; reforma ortográfica no português brasileiro; e linguagem inclusiva.
A partir das notas de cada uma dessas atividades olímpicas, os 8 melhores colocados foram selecionados para representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Linguística (IOL) de 2025.
A XXII Olimpíada Internacional de Linguística aconteceu entre os dias 20 e 27 de julho, na Universidade Nacional de Taiwan, em Taipei, Taiwan. O Brasil participou com dois times:
Time Fêsãw (bronze)
Time Kiorĩpê
Os problemas da prova individual abordaram: sistemas numéricos em butanês; possessivos em gaahmg; formas verbais em kuria; semântica em kewa; e análise psicolinguística em kaqchikel. Já o problema em equipe envolvia a comparação de formas verbais em chamling e bantawa, línguas do ramo kiranti das línguas sino-tibetanas, faladas no Nepal.
A delegação foi acompanhada pelos líderes Rafael Serra, de Boa Vista/RR, e João Henrique Fontes, do Rio de Janeiro/RJ.