EDIÇÃO OJIDU

Nesta edição, a OBL celebra os 15 anos da olimpíada e encerra o ciclo de transição iniciado pela edição anterior, Domu (pássaro, em warao). Mantendo a tradição de destacar a diversidade linguística brasileira a partir da riqueza cultural indígena, esta edição convida à reflexão sobre língua, cultura e pertencimento, sobre as raízes que nos conectam e sobre o que significa ser brasileiro.

Os Warao, segundo maior povo indígena da Venezuela, habitam há milênios o delta do rio Orinoco. Sua língua é isolada, mas sua história sempre foi marcada pelo contato com outros povos. Nas últimas décadas, a degradação ambiental e a crise humanitária venezuelana forçaram milhares de Warao a migrar para países vizinhos. No Brasil, onde hoje vivem mais de 7 mil pessoas Warao distribuídas por todos os estados, adultos e crianças convivem diariamente com o warao, o espanhol e o português, preservando sua língua e sua cultura apesar dos desafios do deslocamento forçado.

Para este ciclo da OBL, adotamos o nome warao para o buritizeiro (Mauritia flexuosa): Ojidu. Considerada a árvore da vida, essa palmeira fornece alimento, fibras, madeira e matéria-prima para inúmeras práticas culturais. Entre os Warao, o buriti sustenta a produção de redes, cestos, chapéus e outros objetos que preservam conhecimentos tradicionais e fortalecem a autonomia das mulheres por meio do artesanato.

Com essa escolha, voltamos o olhar para os movimentos migratórios que ampliam a diversidade linguística e cultural do Brasil e para a relação entre língua, território e identidade dos povos indígenas. Assim, entrelaçamos nossa curiosidade pela experiência humana com o conhecimento adquirido ao longo dos últimos 15 anos para confeccionar uma grande rede de pessoas e ideias, que nos dará sustentação em comunidade para os anos que virão.

PRIMEIRA FASE

A primeira fase esteve disponível entre os dias 24 e 31 de maio de 2025, de forma online. Foi realizada por mais de 9500 participantes de cerca de 1000 escolas, em todos os estados da federação. As provas contaram com 18 questões, distribuídas em três ciclos de dificuldade crescente (com 9 questões no ciclo I, 6 questões no ciclo II e 3 questões no ciclo III).

SEGUNDA FASE

A segunda fase ocorreu no dia 13 de setembro de 2025 de forma presencial, contando com 2875 participantes. Os participantes da categoria Regular resolveram problemas envolvendo nomes de países em hieróglifos egípcios, sons e recursos de inferência em nuu-chah-nulth, frases faladas por homens e mulheres em tigrínia, frases em warao e substantivos em cupópia. Já os participantes da categoria Mirim resolveram problemas envolvendo demonstrativos em malgaxe, verbos em korafe e algarismos em gumatj.

A partir desta prova foram distribuídas, para a categoria regular, 15 insígnias de papel (prêmio I), 45 insígnias de pergaminho (prêmio II), 76 insígnias de papiro (prêmio III) e 109 insígnias de palma (prêmio IV), além de celebrar 26 campeões estaduais. Para a categoria mirim, foram distribuídas 56 insígnias de papel (prêmio I), 72 insígnias de pergaminho (prêmio II), 92 insígnias de papiro (prêmio III) e 105 insígnias de palma (prêmio IV).

ELO 2026

Foram convidados para a XV Escola de Linguística de Outono os estudantes ganhadores de papel e pergaminho e campeões estaduais, mantendo igualdade numérica de gênero, totalizando 103 convidados. A ELO ocorreu entre os meses de fevereiro e maio de 2026, de forma híbrida. Os estudantes participaram de palestras e oficinas, online e presencialmente, atividades de integração e quatro atividades olímpicas.

A etapa virtual da ELO teve as atividades Obelepédia (escrita de artigos para a Wikipédia) e Rolezinho Linguístico (mini-projeto de pesquisa acadêmica). Na Obelepédia, os alunos produziram artigos para a Wikipédia lusófona sobre línguas diversas, com destaque para os artigos das línguas guarani mbya, maori, baniwa, tártara, javanesa e tuvaluana. O Rolezinho envolveu pesquisas sobre um tema geral único, a variação no uso dos pronomes pessoais em função de sujeito no português brasileiro.

A Semana Olímpica de Linguística (SOL), etapa presencial da ELO, ocorreu em São Paulo, nas dependências da Universidade de São Paulo, do Museu da Língua Portuguesa e da Associação Comercial de São Paulo, e teve duas atividades: a Prova (com problemas de linguística) e a Assembleia (debates sobre temas da linguagem). A Prova teve problemas envolvendo sons do português europeu, pronomes em maricopa, frases em tariana e expressões do código navajo da Segunda Guerra Mundial. A Assembleia envolveu debates e construção de consenso em torno dos temas de: reforma ortográfica no português brasileiro; cooficialização de línguas indígenas; e utilização de linguagem simples.

A partir das notas de cada uma dessas atividades olímpicas, os 8 melhores colocados foram selecionados para representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Linguística (IOL) de 2026.

IOL 2026

A XXIII Olimpíada Internacional de Linguística aconteceu entre os dias 26 de julho e 2 de agosto de 2026, na Faculdade de Direito da Universidade de Bucareste, em Bucareste, capital da Romênia. O Brasil participou com dois times:

Time Cravo

  • César Augusto Lonel de Carvalho (Parthenon Bom Clima | Guarulhos/SP) - (menção honrosa)
  • Daniel Agi Pigini (Ensino Médio Prosperar | Anápolis/GO)
  • Luisa Ramscheid Güntert (Instituto GayLussac | Niterói/RJ) - (menção honrosa)
  • Sophia Li Ci Liu (Colégio Etapa | São Paulo/SP)

Time Rosa

  • Cauã Faria de Medeiros (Escola Parque Barra | Rio de Janeiro/RJ)
  • Felipe Araújo Moraes Barros (Único Educacional | Brasília/DF) - (prata)
  • Julia Santiago de Oliveira (Instituto GayLussac | Niterói/RJ)
  • Levi Oliveira Matias (Instituto Federal Catarinense | São Francisco do Sul/SC) - (bronze)

Os problemas da prova individual abordaram: fonologia do yupik central; formação de palavras em yéli dnye; ambiguidades em iquito; relações familiares em sakurabiat; e frases em komnzo. Já o problema em equipe envolvia a tradução de uma história oral em zapoteca de Teotitlán del Valle e a análise da morfologia verbal da língua.

A delegação foi acompanhada pelos líderes Eduardo Cardoso Martins, de Manaus/AM, e Artur Corrêa Souza, de Porto Alegre/RS.